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PM morre após ser baleado por policiais civis durante abordagem

27/04/2018 12h12 | Atualizado em: 03/05/2018 09h33

Divulgação O sargento da PM José Maria Rodrigues Almeida levou três tiros após supostamente reagir a abordagem da Polícia Civil (PC) em Taquaralto, na região sul de Palmas

REDAÇÃO
REDE TO


Um sargento da Polícia Militar morreu na manhã desta sexta-feira, 27, no Hospital Geral de Palmas, após ser baleado por policiais civis durante uma confusão em um bar na região sul da capital. O PM José Maria Rodrigues Amorim, de 50 anos, levou três tiros, um no braço, outro no joelho e um terceiro no abdômen. Ele passou por cirurgia para a retirada dos projéteis, mas não resistiu aos ferimentos provocados pelas balas. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a confusão ocorreu por volta da meia noite, em um estabelecimento em Taquaralto. O delegado Cassiano Ribeiro Oyama, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital, foi chamado para um refoço policial na 5ª DP. Oyama estava a caminho, acompanhado de dois agentes, quando ouviu o som alto vindo do carro do PM e decidiu ir até o bar onde o veículo estava estacionado pedir para que baixassem  volume.

A SSP afirma que ao chegar ao local, o delegado e os  agentes perceberam que o sargento estava "visivelmente sob efeito de álcool". Oyama, então, teria pedido que o PM diminuísse o volume do som, mas José Maria teria se negado a fazê-lo. Na sequência, o sargento, explica a secretaria, reagiu a abordagem, mostrando um revólver para os policiais civis. 

Os agentes relatam que saíram do carro, se apresentaram e solicitaram que a arma de fogo fosse colocada no chão, mas o sargento, ao invés de atender ao pedido, apontou o revólver para os policiais civis, que atiraram quatro vezes contra o PM, atingindo-o com três disparos. 

Segundo a SSP, só depois de balear José Maria é que o delegado e os agentes notaram que se tratava de um policial militar. O socorro foi acionado e o sargento levado em estado grave para o HGP. 


Investigações

A Secretaria de Segurança Pública disse que, durante a madrugada, a delegada plantonista da Central de Atendimento da Polícia Civil ouviu testemunhas, na presença de oficiais da Polícia Militar. O órgão relata ainda que o Cassiano Oyama e os agentes também foram ouvidos pela Corregedoria-Geral da PM, após apresentação espontânea de suas armas. A arma do militar também foi recolhida para ser periciada.

A Polícia Civil declarou, em nota, que "lamenta o falecimento do membro da instituição co-irmã e declara ter instaurado inquérito para investigação do ocorrido, junto à Corregedoria-Geral, com os policiais civis permanecendo à disposição do órgão, até a finalização do procedimento". 

O delegado e os agentes que participaram da ação no bar em Taquaralto foram afastados das suas funções até que as investigações sobre o caso sejam concluídas. 

Conforme apurado pela REDE TO, os tiros que atingiram o sargento saíram de um fuzil e um revólver calibre ponto 40. Um dos disparos partiu da arma do delegado Oyama. 

Luto na corporação

O sargento Rodrigues ingressou na corporação em 1992, era casado e deixa cinco filhos. Atualmente, ele estava lotado no 1º Batalhão da Polícia Militar, em Palmas. O Comandante-Geral da PM, coronel Jaizon Veras Barbosa, pontuou que o militar era "um profissional de boa conduta e cumpria com esmero as missões que lhe eram atribuídas". 


Tensão

Em comunicado encaminhado à imprensa, a Associação dos Praças Militares do Estado do Tocantins (APRA-TO) criticou duramente a ação da Polícia Civil e cobrou uma apuração rigorosa do ocorrido. A entidade lembrou um episódio ocorrido, há cerca de um ano, quando o delegado Cassiano Oyama "invadiu um quartel da PM em Paraíso". "De maneira semelhantemente arbitrária e desumana, o delegado e sua equipe usurparam uma função que não lhes cabia, atentaram contra a vida de um grande profissional da segurança pública, pai de família, e cidadão tocantinense", comentou. 

A APRA destacou ainda que as "ocorrências de transtorno a ordem pública, incluídos os casos provocados por infração sonora, os órgãos competentes a serem acionados seriam a Polícia Militar e/ou a Guarda Metropolitana" e não à Polícia Civil. 

Já o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Tocantins saiu em defesa de Cassiano. "José Amorim não obedeceu à ordem (para colocar a arma no chão" e apontou sua pistola em direção a equipe da Polícia Civil. O delegado e os agentes repeliram a injusta agressão efetuando três disparos, um de cada policial", frisou o presidente da entidade Mozart Felix. 

"Asseguramos de que o Delegado Cassiano Oyama cumpriu todos os protocolos necessários para a abordagem e lamentamos profundamente a morte do Sargento, mas reafirmamos que ele, assim como todos os cidadãos devem cumprir as leis e seguir os protocolos de segurança, neste caso José Amorim deveria ter abaixado o som do carro, se identificado e cumprido as ordens dos policiais civis", completou o representante do sindicato. 


 

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