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"Era um cantor perfeccionista", diz apresentador da Rádio Nacional sobre Cauby

16/05/2016 22h53 | Atualizado em: 16/05/2016 22h55

Arquivo/Agência Brasil Cauby Peixoto morreu na noite desse domingo (15), aos 85 anos, em São Paulo

Um dos ídolos da chamada era de ouro do rádio, o cantor Cauby Peixoto teve a Rádio Nacional como um dos grandes momentos de sua trajetória. Na entrada e saída do Edifício A Noite, onde ficavam os auditórios e estúdios da rádio que projetou seu nome para todo o país na década de 50, o cantor foi muitas vezes cercado por fãs, que recebiam presentes e até rasgavam parte de sua roupa na ânsia de ficar um pouco mais perto do astro.

O artista morreu na noite desse domingo (15), aos 85 anos, em São Paulo. Ele estava internado desde o dia 9 de maio no Hospital Sancta Maggiore, no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, com um quadro de pneumonia. O enterro aconteceu na tarde desta segunda-feira, 16,  no Cemitério de Congonhas, na zona sul da capital paulista. 

Na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, veículo que hoje faz parte da Empresa Brasil de Comunicação, Cauby deixou amigos como o comunicador e locutor Gerdal dos Santos, que apresenta o programa Onde Canta o Sabiá, e concedeu entrevista à TV Brasil. Gerdal lembra a chegada de Cauby à rádio, em 1954, e descreve o cantor como "perfeccionista".

"Era um ótimo caráter, um homem bom. Como artista, além de ter aquela voz privilegiada, era um cantor perfeccionista, porque ele sabia tirar a entonação da canção, a melodia, e ensaiava muito", contou Gerdal. Segundo ele, o ídolo se destacava por ter muita dedicação, além de sua genialidade: "Ele se esmerava muito na forma de estudar a música, de cantar e de gravar".

O apresentador lembra que quando Cauby chegou à rádio tinha uma vida modesta em Niterói, onde nasceu, mas, por orientação de seu empresário, o cantor se mudou para um hotel no centro do Rio de Janeiro.

"Eu fazia parte do cast [elenco] de radioteatro, novelas e programas, e Cauby era o cantor do momento. Presenciei, entrando na rádio, ele ser procurado pelas fãs na porta. Elas corriam no Edifício à Noite e tiravam dele uma lembrança, um lenço, uma carteira, o que viesse. Puxavam a manga do terno e saiam com ela na mão".

Assim como boa parte dos fãs, Gerdal soube da morte de Cauby na manhã de hoje e lamentou a perda do cantor, que era um dos nomes que a Rádio Nacional pretendia homenagear na comemoração de seus 80 anos de fundação. "É uma perda muito grande para a música brasileira, pela figura humana que ele foi e representa de exemplo a todos nós que trabalhamos no rádio."

Em entrevista, na manhã de hoje, ao programa Nacional Brasil, também da Rádio Nacional, o pesquisador Ricardo Cravo Albin disse que Cauby foi ídolo da juventude de sua época, e que seu sucesso foi um fenômeno muito parecido com o que provocou Roberto Carlos anos depois.

"Foi a última cigarra da música popular, porque morreu cantando. Poucos exemplos podem se fazer dentro da opulenta história popular como a do Cauby Peixoto, 65 anos pelo menos cantando e encantando o Brasil", disse o musicólogo, que também apontou o papel da Rádio Nacional na divulgação do artista: "Quem não atingia o microfone da Rádio Nacional simplesmente não existia, ou não se consolidava".

Famoso por interpretações como Blue Gardênia, New York, New York e Mil Mulheres, Cauby gravou Conceição no auge do samba-canção e a música se tornou a principal referência ao seu trabalho.

"Se qualquer outro cantor tivesse gravado Conceição, não haveria a dramaticidade, essa inteireza", analisa Cravo Albin, que também destaca que a música atendia ao gosto estético da época por seu tom trágico. "[Conceição] Era um personagem perfeito, trágico, que saiu do morro porque queria o sucesso da cidade. Viveu na cidade, e ela a maltratou, e voltou para o morro".

 

Com Agência Brasil

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